sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Pecado do Darwinismo

.Se me perguntarem qual é a minha convicção
mais íntima sobre o nome que será dado a este
século, se será o “século de ferro”, “do vapor” ou da
"eletricidade”, responderei sem hesitar que será
chamado o século da visão mecânica
da natureza, o século de Darwin.
Ludwig Boltzmann *
A ESTÓRIA DE ADÃO e EVA é fruto da imaginação.
A outra, apenas mais uma increpação, das tantas atochadas de Darwin:
Na ciência clássica, a natureza era vista como um sistema mecânico composto de elementos básicos. De acordo com essa visão, Darwin propôs uma teoria de evolução em que a unidade de sobrevivência era a espécie, a subespécie ou algum outro componente básico da estrutura do mundo biológico. Mas, um século mais tarde, ficou bem claro que a unidade de sobrevivência não é qualquer uma destas entidades. O que sobrevive é o organismo-em-seu-meio-ambiente.(Lemkow, p. 183)
Vários autores asseguram: Wallace confiara suas observações a Darwin, para que este o entregasse à Casa Real. Como o rei dos macacos estava em débito com a Coroa, simplesmente colou seu nome no trabalho do colega. Não foi plágio, mas fraude.De outro ângulo, Andrew Smith interpôs:
A teoria de Darwin foi falha. Não há evidência direta para a seleção natural como um processo evolucionário. Ninguém jamais observou um organismo evoluir, sob condições naturais, para outra forma de organismo. Que formas intermediárias concebíveis poderiam ter levado à aparição do olho? Como poderia a Seleção Natural ter dado origem à aparição de pássaros? Quando um animal arrisca sua vida para salvar um companheiro, suas possibilidades de sobrevivência não são aumentadas.
(Behe, p.20)
Não me pergunte o quê colocar no lugar. A mim não vem ao caso. O futuro é sempre mais amplo do que o passado, que é marcado. Já muita gente espreita pelo espelhinho.

A extrapolaçao da fronteira
A.R. Wallace & R.Young identificam uma cabeceira:
"Toda a teoria darwineana da luta pela existência é simplesmente a transferência, da sociedade à natureza viva, da teoria de Hobbes sobre a guerra de todos contra todos e da teoria econômica burguesa da concorrência, bem como da teoria da população de Malthus." (Sciences studies, 1971, p.184; cit. Japiassú, 1978: 56)
Malgrado inúmeras falhas desse trilho pseudo-epistemológico, onze foguistas são fortes para levar o trem à Conchinchina:
"Depois de ter sido incorporada por Charles Darwin como uma metáfora para ilustrar o mecanismo evolutivo das espécies biológicas, foi reincorporada por sociólogos como uma confirmação oferecida pela história natural dos processos que atravessam a história humana." (Schwartz, p. 57)
Herbert Spencer (1820-1903) e Albert Schäffle embora reservas, compuseram o team. Principles of Sociology (1.vol, 1876) desenvolve um paralelo entre a organização e a evolução dos organismos vivos e das sociedades. Social Statics foi publicado nove anos antes da Origem das Espécies. The Man versus State veio em 1884. Spencer mescla a tradição racionalista dos economistas clássicos com a versão moderna da natureza - a tal evolução. (Schwartzenberg,, p. 143)
A pá-de-mal jogou sobre o liberalismo uma “inteligível confusão." (Sabine, p. 699)Já o polonês Ludwig von Gumplovicz utilizou os conceitos darwineanos em Die Sociologische Staatsidee (1892). O próprio Estado seria um produto social da evolução, aperfeiçoado pela competição e pela luta nos embates tribais, firmando a hegemonia dos mais aptos, na forma de evolução social. Nada disse de novo. A bandeira era do obsoleto filósofo do medo, Thomas Hobbes.
A propagação de que “da guerra da natureza, da fome, da morte, forma-se o mais nobre objeto que somos capazes de conceber: a produção de animais superiores” o menos avisado pensaria ser publicidade nazista; porém, assim não o é. Esta eloqüente frase foi proferida pelo parente símio, nosso Charles. Robert Downs descreve-nos a "meritosa" contribuição:
“Consciente ou inconscientemente o Mein Kampf, de Hitler, deve muito a Maquiavel, Darwin, Marx, Mahan, Mackinder e Freud.” (Johnson, p. 4)Esqueceu, ou não quis citar, Mussolini, mentor da hipócrita Carta del Lavoro.
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O darwinismo socialNa rota riscada por Bacon, Descartes, Newton, Hobbes, Rousseau, Bentham, junto a mecânica hegeliana, Mill, Ricardo, Comte, Sorel, Lamarck, o próprio Darwin, e em seguida Engels e Marx, criativas equações sociológicas, econômicas e legislativas passaram a “ordenar” os fatos sociais, cada vez com maior ênfase e precisão. A maioria liberal já tinha claramente identificado que a manobra de transferência de um poder (real) para outro (do povo), como queriam Rousseau, Bentham e seus cometas, não buscava a liberdade, mas sim a novo absolutismo. De fato, as formulações tecno-políticas embasadas no “utilitarismo” passaram a sobrepujar o “utópico” e “primitivo” sistema.
O foguista-mor dedicou a edição inglêsa de O Capital ao autor da Origem das espécies:
“O livro de Darwin é muito importante e me convém como base da luta histórica das classes.” (Marx, cit. Japiassú,1978,p.60)
Darwin recusou a homenagem, simplesmente por não entender o que teria a Seleção Natural a ver com o Socialismo. Na verdade era uma falsa modéstia. A expressão “podemos lançar um olhar profético ao futuro e ver que as espécies pertencentes aos grupos maiores e dominantes dentro de cada classe é que finalmente prevalecerão e darão origens a novas espécies dominantes” traduz ao quê se opõe o discurso da mistificação dial-ética-comunista. É de Darwin a autoria. (Cit. Carvalho,p.21)
Pelo nosso Miguel Reale (p. 223):"Alguns postulados fundamentais caracterizam a filosofia marxista: o primado do real sobre o ideal, a admissão da teoria evolucionista de Darwin, a concepção materialista da história, a dialética hegeliana revisada."
Marx tanto se valeu do antropofágico curso que Turati e Kautsky o identificaram como o “Darwin da ciência social”. (Cits. Hayek, p. 83)
O trem da alienação desceu a ribanceira em desenfreada carreira. O universo social passou a ser descrito em ordem uniformemente acelerada.
A partir da direção do patrono comunista, nova leva embarcou. Joseph Needham, em 1943,(cit. Hayek, p. 84) foi um dos arrastados:
A nova ordem mundial de justiça social e da camaradagem, o estado racional e sem classes, não é um desvairado sonho idealista, mas uma extrapolação lógica a partir de todo o curso da evolução, que não tem menos autoridade do que aquela que o precedeu é portanto de todas as crenças a mais racional.
Needham cometeu redondo engano, teórico e prático:"Em resumo, a evolução é um desdobrar-se de uma ordem interna existente. Mas, por ser ela inteligente e não um processo mecânico, há espaço aberto para variações criativas e respostas individuais às circunstâncias ambientais." (Lemkow, p. 174)F. Hayek (p. 46) bem avisara:"O darwinismo social está errado, mas a intensa aversão que provoca hoje é também devida em parte a seu conflito com a arrogância fatal de que o homem seria capaz de moldar o mundo ao seu redor de acordo com seus desejos."Needham, se leu, não entendeu. Wilber também foi ignorado:"A teoria científica ortodoxa da evolução parece correta quanto ao 'quê' da evolução, mas é profundamente reducionista e/ou contraditória quanto ao 'como' (e porquê) da evolução.” (A Transpersonal View of Human Evolution, p. 304/305; cit. idem, p.178)A idéia cerne é furada. Que dirá seu transplante à economia, à sociologia e ao direito:
Não é a adaptação bem sucedida a um dado ambiente que constitui o mais notável formador da vida, mas a teia de processos ecológicos em um sistema ambiental que forma os padrões psicológicos e comportamentais, os quais podem apoiar-se na genética. A evolução acontece não como resposta às exigências da sobrevivência, mas como um jogo criativo e necessidade cooperativa de um universo todo ele evolutivo.(Idem, p. 183)
SobrevivênciasO foco de uma crônica competição sangrenta entre indivíduos e as espécies, o desvirtuamento popular da noção de Darwin da “sobrevivência dos mais aptos”, dissolve-se diante de uma nova visão de cooperação contínua, forte interação e dependência mútua entre as formas de vida.
A vida não conquista o globo pelo combate, mas pelo entrelaçamento. Formas se multiplicam e tornam-se complexas cooptando outras, e não apenas se autodestruindo.
O Príncipe Peter Alexeyeevich Kropotkin (1842-1912), ex-integrante do seleto Corpo de Pagens do Czar Nicolau I, não foi ao paraíso tropical de Galápagos; foi na Sibéria que ele viu as espécies bem sucedidas preferirem a cooperação. Foi pioneiro em “falsear” a popular teoria, mas nada disso, obviamente, interessaria aos bolcheviques. Naquele frio siberiano, diferentemente do sol tropical buscado por Darwin, a seleção natural procura um meio de evitar a competição. O livro Auxílio Mútuo, contudo, não era de serventia praxeológica. Além disso, Kropotkin foi taxado como anarquista. Merecia juntar-se a Nietzsche. Mas o russo estava correto:
"A teoria da evolução, de Darwin, de mutação acidental e de sobrevivência dos mais capazes, inevitavelmente tem se mostrado inadequada para responder a um grande número de observações biológicas." (Ferguson, p. 149.)
Em que pese desabrochar os sentimentos mais nobres, as virtudes mais elevadas, a política liberal assim foi solapada. Os onze viajariam por muito tempo. Possuíam uma equipe de teóricos e treinadores da mais alta competência. Como todo trem (e todo embuste) tem fim-de-linha, contudo, a própria cátedra está em cheque:
Há uma grande lacuna na teoria neodarwiniana da evolução, e acreditamos que deva ser de tal natureza que não possa ser conciliada com a concepção corrente da biologia. Concluímos – inesperadamente – que há poucas provas que sustentem a teoria neodarwineana; seus alicerces teóricos são fracos, assim como as evidências experimentais que a apoiam.
(Coyne, Jerry, do Depto. Ecologia e Evolução. Universidade de Chicago. Cit. Behe: 37)
Talvez porque só se preocupassem com a “origem”, portanto atendo-se exclusivamente a um passado presumido, fragmentado, predisposto por fatos e objetos parcialmente identificados, mal-coletados, pior interpretados, e jamais resolvidos, é que esses onze - Spencer, Darwin, Malthus, Rousseau, Hegel, Comte, Mill, Bentham, Marx, Sorel e Freud - não conjeturaram a espetacular reversão científica que adviria com a quântica e com a relatividade:
É nisso que aqueles que se empenham em melhorar a sorte do homem podem fundar suas esperanças: os seres humanos não estão condenados, em razão de sua constituição biológica, a aniquilar uns aos outros ou ficar a mercê de um destino cruel que eles mesmos se afligem.Einstein, A., Escritos da maturidade: artigos sobre ciência, educação, relações sociais, racismo, ciências sociais e religião: 133
A ciência e a sociedade de ponta evoluem por “somaléticas”, em vez das necessariamente destrutivas lambanças dialéticas, sejam elas de caráter histórico, físico, biológico, econômico, político, ético ou social.

Nota* Boltzmann, Ludwig, Populare Schriften Essay 1, theorethical physics and philosophical problems, p. 15; cit. Coveney, P. e Highfield, R., p. 135. Boltzmann defendeu este mesmo ponto de vista na palestra sobre a segunda lei, proferida em 1886, num festival da Academia Austríaca de Ciências.
-Fontes
BEHE, Michael J., A caixa preta de Darwin: o desafio da bioquímica à teoria da evolução. Tradução de Ruy Jungmann; consultoria de Rui Cerqueira.– Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.
CARVALHO, Eide M. Murta, O pensamento vivo de Darwin.- São Paulo: Martin Claret, 1987.
COVENEY, Peter e HIGHFIELD, Roger, A flecha do tempo. Tradução de J. E. Smith Caldas.- São Paulo: Ed. Siciliano, 1993.
FERGUSON, Marilyn, A conspiração aquariana. Tradução de Carlos Evaristo M. Costa, 10 ed.- Rio de Janeiro: Ed. Record, 1995.
HAYEK, Friedrich August von, Os erros do socialismo: arrogância fatal. Tradução de Ana Maria Capovilla e Candido Mendes Prunes.- Porto Alegre: Editora Ortiz/Instituto de Estudos Empresariais, Edição preliminar, 1995.
JAPIASSÚ, Hilton, Nascimento e morte das ciências humanas. - Rio de Janeiro : Livraria Francisco Alves Editora, 1978.
JOHNSON, Paul, Tempos modernos: o mundo dos anos 20 aos 80. Tradução de Gilda de Brito Mac-Dowell e Sérgio Maranhão da Matta. - Rio de Janeiro: Instituto Liberal, 1990.
LEMKOW, Anna F., Princípio da totalidade. Tradução de Merle Scoss.- São Paulo: Ed. Aquariana, 1992.
REALE, Miguel, Pluralismo e liberdade, 2. edição. - Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1998.
SCHWARTZ, Joseph, O momento criativo - mito e alienação na ciência moderna. Tradução de Thelma Medici Nóbrega.- São Paulo: Ed. Best Seller, 1993.
SCHWARTZENBERG, Roger-Gèrard, Sociologia política: elementos de ciência política. Tradução de Domingos Mascarenhas.- São Paulo e Rio de Janeiro: Difel, Difusão Editorial, 1979.

creditos: http://allmirante.blogspot.com/2007/10/o-motorneiro-darwin-e-o-trem-dos-onze.html
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